Hoje é comemorado o Dia Mundial das Comunicações Sociais

O Dia Mundial das Comunicações, em 2018, tem como tema “A verdade vos tornará livres (Jo 8, 32). Fake news e jornalismo de paz. O Dia Mundial das Comunicações Sociais foi instituído através do Decreto Inter Mirífica, no ano de 1966, durante o Concílio Vaticano II e traz, todos os anos, o pensamento do Papa sobre determinado tema, dirigido aos comunicadores católicos e não católicos de todo o mundo, e é sempre uma tentativa de ajudar na reflexão de assuntos atuais, que dizem respeito à comunicação.

Neste ano, o Papa Francisco propõe um amplo debate a todos os comunicadores, tema que vem sendo tratado, também, na esfera acadêmica, a onda das fake news, ‘notícias falsas’, que a cada dia vêm sendo disseminadas pelas redes sociais no país, com uma intensidade cada vez maior, trazendo consequências para a igreja, a vida social e a política.

A Secretaria para a Comunicação Social do Vaticano afirmou que “no contexto em que as empresas de referência das redes sociais e o mundo das instituições e da política começaram a combater este fenômeno, também a Igreja quer oferecer sua contribuição, propondo uma reflexão sobre as causas, as lógicas e as consequências da desinformação na mídia, e auxiliando na promoção de um jornalismo profissional, que busca sempre a verdade, e por isto um jornalismo de paz, que promova a compreensão entre as pessoas”.

Hoje, ao analisarmos uma “notícia falsa”, notamos que está mais além dos sites “maliciosos”, que promovem desinformação com propósito político. Segundo Camila Renaux, Consultora de Marketing Digital, especialista em Marketing e em Gestão de Negócios Digitais, é possível diminuir o impacto das fake news: “As ‘notícias falsas’ chegam até nós, principalmente através das redes sociais e dos grupos de WhatsappFake News acionam um gatilho importante em nossos cérebros: na maioria das vezes, acreditamos que estamos passando adiante uma informação que vai ajudar alguém. É nesse modus operandi que se apoia quem constrói o boato”.

Ainda segundo a especialista, “Existe um padrão; o boato é sempre algo que vai gerar revolta ou empatia imediata, afinal, deve agir no impulso e não dar tempo ao leitor de refletir, pensar, checar fontes e verificar se aquilo faz algum sentido”.

“Notícias sem data, de sites pouco conhecidos, com relatos vagos ou que citam fragmentos notoriamente verídicos, com outros mais genéricos, sem citar nome de envolvidos, tendem a ser boatos. Uma outra dica é tomar cuidado com publicações que pedem para clicar, marcar amigos e compartilhar. Imagens sensacionalistas e impactantes também são iscas muito utilizadas por quem constrói boatos”, completou Camila Renaux.

A Consultora de Marketing Digital orientou, como todos devemos proceder perante uma notícia, segundo ela, importante: “não compartilhe notícias imediatamente, sem leitura e análise. Pesquisar no Google e em sites especializados, como o http://www.e-farsas.com/, ajuda muito!”. Ela concluiu que os profissionais de comunicação podem fazer um jornalismo de Paz, sendo guiados sempre pela ética e por valores, acima do sensacionalismo e da “batalha pelo clique” (clickbait).”

Na mensagem do Papa Francisco para este dia 13 de maio, o  52º Dia Mundial das Comunicações Sociais, ele diz que a Santa Sé quer tratar das “notícias falsas” ou fake news, ou seja, “informações infundadas que contribuem para gerar e alimentar uma forte polarização das opiniões”. A Secretaria para a Comunicação do Vaticano explicou, através de um comunicado, que “trata-se de uma distorção muitas vezes instrumental dos fatos, com possíveis repercussões sobre comportamentos individuais ou coletivos”.

O Arcebispo de Niterói, Dom José Francisco, em seu artigo mensal para o Niterói Católico, Jornal da Arquidiocese de Niterói, lembrou que: “Tudo na vida humana é comunicação, menos a comunicação. A comunicação, essa, é poder. Nos últimos 150 mil anos, ela tem sido usada menos como ponte, e mais como abismo. Depois da revolução cognitiva – que nos caracterizou como humanos e nos deu a incrível capacidade de sobreviver num mundo hostil à nossa espécie – temos nos superado, na capacidade de gerar conteúdos para comunicar. Repito, só falta gerar conteúdos confiáveis”.

Dom José Francisco lembrou ainda, as palavras que o Papa Francisco, dirigiu aos jornalistas: “o Papa pede que se promova um jornalismo de paz, sem fingimentos, sem as falsidades de slogans sensacionalistas e declarações bombásticas, de pessoas para as pessoas. Um jornalismo voltado para todos, sobretudo, para a maioria que não tem voz. Um jornalismo que se comprometa na busca das causas reais dos conflitos, para compreender suas raízes e superá-los”.

“É verdade que pessoas comuns, como você e eu, não produzem notícias jornalísticas. Mas produzem boatos; consomem boatos. Também temos nossas fake news particulares. Ao compararmos a notícia do Evangelho aos nossos boatos, não há como não nos sentirmos envergonhados. Tudo em Deus é muito grande. Tudo em nós é muito pequeno. Nessa hora, resta a confiança”, completou o Arcebispo de Niterói.

Por João Dias com informações Secretaria de Comunicação do Vaticano/CNBB
Arte: Thiago Maia

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