Dia Internacional da Mulher: “Respeito, amor e lutas por direitos”

Neste dia 8 de março, comemoramos o Dia Internacional da Mulher, momento para refletirmos sobre a luta por respeito e direitos. Esse dia também é momento propicio para que todos lutemos para que a mulher não sofra abusos físicos, psicológicos e morais.

É também um dia para parabenizar todas as mulheres que, com garra, lutam por respeito e direitos. Durante a Jornada Mundial da Juventude, que ocorreu no Panamá, de 23 a 27 de janeiro, o Papa Francisco, em seus pronunciamentos, mais de 10, transmitiu mensagens fortes e de preocupação, sempre se remetendo aos líderes da América Latina, sugerindo que evitem a corrupção, que combatam a violência do crime organizado e o tráfico de drogas. E também, que lutem contra o assassinato de mulheres. Os últimos dados apontam que a cada duas horas uma mulher é morta no Brasil.

O Papa afirmou que esses crimes se tornaram uma “praga”, nesta parte do continente. Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), no ano de 2017, 2.800 mulheres foram vítimas de feminicídio na América Latina e no Caribe.

O Setor de Comunicação da Arquidiocese de Niterói (SECOM) entrevistou a Assistente Social Bárbara Leal, sobre como orientar as vítimas de feminicídio e como denunciar esse crime.

SECOM: Quem é Bárbara Leal?

Bárbara Leal: Assistente Social, desde 2012. Especializada em “Instrumentalidade do Serviço Social”, pelo Instituto Pedagógico de Minas Gerais. Possui extensão Universitária em “Intervenção no Uso Abusivo de Substâncias Psicotrópicas” pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) e “Saúde Mental e Atenção Psicossocial”, pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Possui experiência nas áreas de atuação com População em Situação de Rua, Elaboração de Políticas Sociais para a Juventude, Assessoria e Consultoria em Projetos Sociais e Acompanhamento Familiar. Atualmente, trabalha na Saúde Mental do Município de São Gonçalo e Espaço Multiprofissional Saberes, em Niterói.

SECOM: Os discursos do Papa Francisco, na última Jornada Mundial da Juventude, apontam para os jovens a importância de combater as inúmeras violências, entre as quais,  destaca o feminicídio,  chamando-o de “praga”. Bárbara,  como você analisa a importância de o Papa tratar esse assunto com os jovens?

Bárbara Leal: Ao citar o sínodo dos jovens, em seu encontro com os bispos da América Central, na última JMJ, o Papa recorda: “Os jovens são um dos ‘lugares teológicos’ onde o Senhor nos dá a conhecer algumas das suas expectativas e desafios para construir o futuro. Com eles, poderemos ver melhor como tornar o evangelho mais acessível e credível, no mundo em que vivemos”.

Penso que os jovens são sinal profético na Igreja. Eles têm grande capacidade de generosidade, abertura às inspirações divinas e vivência da radicalidade evangélica. Eles são a nossa esperança da construção de um mundo novo e melhor, no hoje e no agora da vida.

SECOM: O que é a violência contra a mulher?

Bárbara Leal: O termo “Violência contra a mulher” surgiu no bojo da década de 70, a partir de movimentos sociais que começaram a dar visibilidade a agressões sofridas por mulheres, praticadas por homens, em um contexto social onde o conselho popular era “Em briga de marido e mulher ninguém mete a colher”. Quando falamos do tema “Violência contra a mulher”, tendemos a minimalizá-lo, tratando-o somente como “agressão física a uma mulher”. Existem no entanto, diversas concepções de violência, que são utilizadas para a compreensão do tema e de sua complexidade. A Lei Maria da Penha (11.340/2006) prescreve que a violência contra a mulher pode aparecer de diversas formas: violência física, psicológica, sexual, patrimonial, quando há retenção de bens, recursos e valores utilizados para a satisfação de suas necessidades, e moral, calúnia, difamação, injúria. Estes tipos de violência também podem ocorrer em diversos contextos, como a Violência Doméstica, que ocorre dentro de casa, nas relações entre pessoas da família; Violência Intrafamiliar, relações violentas entre membros de uma mesma família; Violência de Gênero, caracterizada como relação de poder e dominação do homem e submissão da mulher, entre outras.

SECOM: Bárbara, por que esse assunto é tão relevante, principalmente para os cristãos e tem que ser combatido?

Bárbara Leal: Na carta apostólica “Dignidade e vocação da mulher”, São João Paulo II ressalta como Cristo se comportava como promotor da dignidade da mulher, através de suas palavras e obras, sempre exprimindo-lhe o respeito e a honra devidos. Isto, em uma sociedade altamente hostil à figura da mulher, marcada por sua discriminação e dominação. Jesus vivenciava, como sinal profético, a verdade sobre a igual dignidade do homem e da mulher, feitos à imagem e semelhança da Trindade Santíssima. Em uma sociedade majoritariamente cristã, como a nossa, precisamos nos questionar porque temos tantos índices de violência de gênero, discriminação e atentado à dignidade do outro.

SECOM: Por que muitas mulheres têm medo ou constrangimento de denunciar?

Bárbara Leal: Diversos fatores podem levar à inibição da denúncia: Medo do agressor, medo de vivenciar novamente a situação de sofrimento, medo de a denúncia ‘não dar em nada’, sentimento de culpa, medo de ser culpabilizada pela situação vivenciada, vergonha, dependência financeira, etc…

SECOM: Bárbara, uma pergunta fundamental é como a violência impacta na vida da mulher que sofre agressão?

Bárbara Leal: Pode impactar de diversas maneiras. Aliás, há estudos que apontam a violência contra a mulher como uma das principais causas de doenças neste segmento populacional, podendo, por isso, ser considerado um problema de Saúde Pública. É comum que mulheres em contexto de violência/agressão sofram de hipertensão, angústia, depressão e/ou apresentem vários outros tipos de sofrimentos psíquicos.

SECOM: Como e quem pode denunciar a violência cometida contra a mulher?

Bárbara Leal:  A denúncia pode ser feita em delegacias e órgãos especializados, e é importante que a população saiba que qualquer pessoa pode denunciar situações de agressões sofridas por mulheres. Para que medidas sejam aplicadas ao agressor e no cuidado da vítima, não é necessário que a mesma seja a denunciante da ação. Desta forma, a responsabilidade pelo cuidado da mulher e da inibição das formas de violência são compartilhadas entre a sociedade, o poder público e a família. A vítima também pode ser encaminhada a locais onde receberá cuidados e orientações, como Centros de Referência Especializados de Assistência Social (CREAS), Serviços de Proteção aos direitos das Mulheres, Serviços de Saúde, etc. O número 180 também pode ser um canal de denúncia, encaminhamento, e obtenção de informações sobre o assunto.

Qualquer tipo de violência contra a mulher, seja abuso físico, psicológico ou moral deve ser denunciado, através do número 180 ou na delegacia da mulher e qualquer pessoa pode fazer isso.

Por João Dias
Foto: Arquivo

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